segunda-feira, 9 de março de 2009

Conto - Parte 4

Muitas e muitas vezes voltamos a mansão, os laços de nós três ficava cada vez mais estreito, aos poucos fui contando minha história, aos poucos ganhei a confiança da avó de Leandro, e passávamos horas conversando, eram tardes tão boas.

A mansão passou a ficar mais iluminada, torrentes de calor, ventos de verão entravam por aquelas janelas, havia um canto especial que sempre ficávamos lá, vó sempre ficava lá, era uma pequena biblioteca, tinham vários livros, porta retratos em preto e branco, caixas com cartas e recordações, eu olhava de longe não tocava em nada, não tinha esse direito, havia ainda uma parede com retratos de pessoas queridas, bisavós, o pai de Leandro, dava pra perceber que estava ali a anos, percebi que um retrato tinha sido tirado de lá a pouco tempo, tinha uma marca que não pode ser escondida pela fotografia nova que estava por cima, fotografia essa que era de um bebê gordinho, Leandro, de fraldas e os pequenos olhos vermelhos, cheios de água, eu quis saber o motivo do choro, um brinquedo em troca do sorriso do garoto, mas não funcionou bem, deixaram a foto porque era um bebê tão bonitinho e gordinho.

Na manhã de quarta-feira, vó não se sentiu bem, mas não era tão grave, Leandro a levou ao hospital, era uma mulher idosa e não podia brincar com sua saúde, e Leandro cuidava dela muito bem. Fui até a mansão, recebi a missão de pegar umas roupas, um livro o qual ela me recomendou para ajudar a passar as horas que ficaria lá pra observação a pedido do neto querido que ela não desobedecia em nada.

Ao chegar a mansão, passei pela ante sala de onde se avistava a biblioteca, vi uma caixa um pouco aberta, uns papeis fora do lugar e fui até lá para ajeitar, vó devia estar bem ali no momento que se sentiu mal e não teve tempo para voltar tudo a harmonia simétrica de antes. Havia uma caixa, era de madeira, cor escura, tinha um trabalhado tão belo, era uma bela caixa, e estava aberta, tinha cartas antigas, pude ver pelos envelopes amarelados, juntei tudo e coloquei dentro da caixa, lá dentro havia uma moldura, uma moldura bonita e antiga também, uma foto em preto e branco, era uma mulher com uma criança no colo, uma menina de vestidinho e fita no cabelo, num relance que eu olhei pensei que a mulher da foto me era familiar, meu coração neste instante falhou um tom nas batidas e dei um sobressalto, uma corrente de ar gelado passou por mim, seria mesmo o que meus olhos estavam vendo, era mesmo aquele mulher, a mesma mulher que conheci anos antes na minha infância, era Izabel, jamais me esqueceria daquele sorriso, tão amiga, meiga, jovem e bonita, aquele pátio, as flores atrás, eu sabia quem eram e onde estavam.

Deixei tudo como estava e saí correndo, tinha tantas perguntas, tanto pensamento correndo por dentro de mim, tantas lembranças, o pátio, a mulher, as flores, mas porque ali, porque? Pela primeira vez tentava entender, tentava me lembrar de onde realmente eu tinha vindo, o orfanato, as visitas, o vestido a fita no cabelo, vó me olhava e me amava de uma maneira especial, intrigante, um carinho, a cumplicidade, adivinhava o que eu desejava, e eu só desejava tê-la por perto ouvir suas histórias e Leandro meu cavalheiro negro daquela noite fria, o último homem que eu teria na vida, Leandro, tantas indagações, hipóteses que viam a minha cabeça, certezas que não poderiam ser, pensamentos me atordoavam e eu não queria aceitar, ver o que meus olhos viram, o que meu coração sentiu. Foi assim entre soluços, pensamentos me rondando, indagações, sentimentos, medo, horror do que eu mesma estava concluindo daquilo tudo, foi assim que consegui chegar ao hospital onde encontrei Leandro a porta, estava com aquele ar sereno, calmo, uma postura de quem tem a certeza da vida e de tudo, meu ser amado, meu cavalheiro, não consegui olhar no olho dele, mas me disse que a vó tinha sentido uma dor mais forte minutos antes da minha chegada, eu quis entrar no quarto, perguntar, saber, eu tinha que saber o que estava acontecendo, porque o retrato havia sido tirado da parede, como Izabel e eu poderíamos estar naquela foto.

Vó não estava bem, com todo aquele torpor que estava dentro de mim, toda aquela efusão de vida, da minha história, eu tentei ficar calma e falar, e perguntar, mas ela estava ofegante e com os olhos moles, entreabertos, eu falei da foto, da Izabel e de mim, ela disse que Izabel era a minha mãe, disse entre suspiros que me amava, mas ela estava fraca e eu não pude mais falar, uma emoção, uma imensidão de sentimentos estava para explodir dentro de mim. Aquelas informações, os segredos, a minha vida, tanto sentimento, tanta coisa, tanto temor, uma efusão de emoção e dor, de raiva, de vergonha, fiquei parada por um tempo tentando não cair, tentando me equilibrar, aquilo não poderia ser, não era possível, Leandro era meu irmão, filho de Izabel, meu irmão, não podia, esse pensamento me assombrou, e não me lembro de pensar mais, saí do quarto, e só queria sumir dali, quando saí Leandro estava a porta sem saber da nada, eu com os olhos impregnados de lágrimas, um olhar triste que ele pode perceber, o olhei nos olhos, mas não consegui dizer nenhuma palavra, saí daquele lugar.


...

quinta-feira, 5 de março de 2009

Conto - Parte 3

Era sábado, o dia da minha folga, gostava tanto dos meus sábados e das minhas folgas, estava preguiçosa ainda na cama, quando ouvi Leandro entrar, ele pulou na cama junto comigo, eu ainda estava sonolenta, e ele com aquela alegria toda pra cima de mim, disse que veio me dar bom dia, me arrancou um monte de beijos e foi para o clube jogar como ele costumava fazer, quando eu conseguir me restabelecer de toda aquela energia dele eu fui tomar o meu café, calma e degustando cada momento daquele dia que pra mim era mágico, ao chegar a mesa do café me deparei com uma carta, era de Leandro:
Amada
Eu te amo tanto, tanto que sinto a responsabilidade de vê-la feliz, de vê-la sorrir, um sorriso lindo este seu que tanto me encanta, nossos olhos se cruzaram e a partir dali alguma coisa mudou, uma luz se acendeu e os jardins eram todos mais vivos, mais coloridos, eu vejo cores, amores, vejo você com esses olhinhos pequenos me olhando.Houve um tempo em que eu pensei que amar e ser amado fosse invenção de poetas que não consultaram meu coração, eu já estava triste e desacreditado desse mundo que vivemos, aí eu encontrei você, toda linda me oferecendo tudo aquilo que um dia eu sonhei ter, um relacionamento todo desenhado para mim, você é o meu melhor presente.Quando eu penso em você, eu penso no que eu quero para o meu futuro, é você que está lá comigo, eu não tenho pressa se você estiver ao meu lado, quero cuidar de você, fazer suas vontades, satisfazer seus desejos, porque você é o meu tesouro, eu gosto de te amar, gosto tanto de ter você, não se assuste com o meu sentimento, não se esqueça dos sonhos que tenho ao seu lado e peço que me deixe ler o seu coração, somos duas pessoas, dois seres, duas culturas, manias, sonhos, desejos, duas histórias, duas vidas, sofremos, sorrimos, dois prazeres, vícios, amigos, compreensões, entendimentos, tanto infinito juntos, misturados e medidos para formar este ser que é você, que sou eu, seres diferentes e ao mesmo tempo infinito e maravilhosamente ligados, eu desejo dividir a minha vida com você, viver ao seu lado pelo tempo que eu tiver, ao seu lado para te decifrar, completar, admirar, contemplar, eu quero sua força, o seu afago, o abraço, o carinho, o calor das noites frias, e das noites quentes, quero ser os seus olhos, o seu repouso, o seu gozo, eu quero você.Amar é maravilhosamente perfeito quando seu amor é devolvido à altura, me sinto amado por você, me sinto feliz, me sinto vivo e viver ao seu lado tem sido melhor a cada dia. Obrigado por fazer parte da minha vida, da minha história, uma história de amor, de viver, obrigado por me ensinar tanto, por ser parte do meu dia, da minha noite, por me ligar e dizer simplesmente boa noite, por ser feliz e sorrir, obrigado por viver comigo, por sair, por fazermos o amor mais lindo que pode haver, obrigado por eu te amar, por me acordar com uma mensagem de amor, pelos beijos de bom dia, pelos beijos de boa noite, pelo corpo quente que me afaga em noites amenas, obrigado pela vida que me empresta, por dividir suas historias comigo, obrigado pelo amor dispensado, pelo carinho trocado, pelos olhares cúmplices, por fazer aquele gesto lindo com a boca e olhar diretamente para dentro de mim, pelos sorrisos que já me destes, obrigado por pensar simplesmente em mim, obrigado por você viver e ser minha namorada.
Leandro

Como era bom se sentir amada, lendo estas linhas que tinha uma caligrafia de menino, me senti a mais feliz de todas as mulheres, a mais amada, por vezes olhava pra mim e ficava a pensar o quanto toda minha vida era diferente das pessoas as quais eu convivia, diferente porque passei tantas coisas, mas era meu mundo, minha vida, minha história.

Passei minha infância num orfanato era um lugar bonito, nós tínhamos tarefas para fazer e aulas todos os dias, passei assim os meus primeiros anos de vida, tinha outras crianças e nos apegávamos umas nas outras, tinha só meninas, eram tão diferentes umas das outras, eu passava a maioria do tempo as observando, nos sábados ficávamos brincando no pátio, era o dia que não tínhamos aulas e nem muitas tarefas, no sábado íamos para o pátio onde tinha muitos jardins, sentada num banco eu passava muito tempo ali observando tudo que acontecia ao meu redor, olhava as outras garotas e um dia olhando aquela paisagem eu decidi que seria médica que queria entender as pessoas, olha-las a fundo, eu disse para uma das tias que cuidava da gente, disse que um dia seria médica, e ela com a humildade e a bondade que dilatava pelos poros a olhos nus me contou uma história, de um sonhador, não me lembro a fundo, mas me disse pra continuar sonhando, e foi o que fiz, eu sonhei.

Eu era uma criança feliz, não me lembro de ter morado em outro lugar, até sair de lá aos 18 anos, todo mês tinha um dia que nos arrumávamos todas, fita nos cabelos, sapatinho bem limpinho, o orfanato era pequeno, mas aconchegante, ainda me lembro daquelas paredes, tinha um papel de parede cor de rosa com umas florzinhas, dois andares, nos corredores vários quartos, nesse dia do mês era quando recebíamos visitas, eram casais, pessoas adultas e pessoas solteiras também, eles conversavam com a gente, às vezes traziam outras crianças, meninos, meninas era um dia bem legal, mas naquela época não sabíamos ao certo quem eram e para que vinham nos ver, alguns nunca voltavam, outros todo mês aparecia.

Eu tinha uma amiga, e me sentia especial por ter uma amiga mais velha, o nome dela era Izabel, era uma mulher adulta, todo mês vinha e me trazia um presente, uma roupa, um brinquedo, mas tudo que ganhávamos era guardado e usado coletivamente, eu com os meus 7 anos de idade entendia aquilo e sabia que aqueles presentes eram para todas nós e não só pra mim, Izabel sabia disso, ela era adulta tinha uns 25 anos, eu adorava conversar com ela, as vezes trazia alguém e ficávamos conversando, eu dizia para minhas amigas do orfanato que ela era a minha amiga, mas Izabel era muito legal e as vezes trazia presentes e doces para todas, neste dia era uma grande festa.

Depois dessas visitas não era raro uma das meninas terem que se mudar, naquela época não sabíamos ao certo o que acontecia ou o porquê elas tinham que se mudar dali, só mais tarde, mais adulta entendíamos, muitas delas eram adotadas e ganhavam uma família, mas com nossas idades era cada vez mais difícil disso acontecer, e assim a vida ia se passando, nesse tom, eu era feliz sim, tinha um diário, mas me desfiz dele, lá eu perguntava muito por uma família, as vezes assistíamos televisão e via uma cena, numa mesa, um casal de adultos e duas crianças tomando café, era a visão de família que eu tinha, e escrevia lá no diário coisas assim.Eu era feliz ali e não me questionava muito cadê eles, ou onde estava a minha família, o porque de estar ali, crescendo entendi muitas coisas, a minha realidade e das minhas amigas, estudei bastante e nunca me esqueci daquele sonho de criança, fiz alguns cursos, consegui um trabalho e aos 17 ajudava no orfanato enquanto podia. Aos 18 eu saí de lá, morei num lugar pequeno, seguindo a minha vida, aprendi, cresci, chorei, tive vitórias, tantas coisas, tanto caminho pra se percorrer até conseguir, até vencer. Hoje aqui estou eu, uma mulher independente, amada e feliz, como já disse não me envergonho de coisas que eu já fiz, eu conheço meu coração. E Leandro, meu misterioso amor, meu amado Leandro.


......................continua......................

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Conto - Parte 2


Setembro – Uma noite e tudo mudou

A vida é mesmo estranha, uma bela estranha.

Como todos os outros dias de setembro, a noite, o frio, aquela esquina era tudo tão igual. Leandro surgiu como um cavaleiro negro, depois daquela noite, mais e mais vezes nos encontramos, eu disse que estava naquela vida, pois queria minha independência financeira antes dos 25, e já tinha dinheiro o bastante para isso, aquela na verdade fora a última noite de setembro. À medida que fui conhecendo Leandro pude ter certeza e consciência de tudo aquilo, eu já estava para me formar em Psicologia não precisava mais daquelas experiências.

Leandro estava do meu lado, era um tipo de romance diferente, único, mesmo com nossas risadas soltas, nossas aventuras e desventuras Leandro era ainda misterioso para mim, ainda tinha aquele olhar triste.

Em abril do outro ano, estávamos felizes, juntos, eu já tinha enterrado aquelas histórias, aquela esquina onde conheci a razão que procurava para minha vida. Eu era sozinha neste mundo, não sabia de onde eu vinha, mas não me preocupavam tantas perguntas, apenas vivia. Onde eu cresci se aprende a destacar-se e persistir no sonho. Sorte minha.

Desde que conheci Leandro passei a escrever sobre as histórias daquele tempo, são rascunhos, experiências, histórias engraçadas, várias enrascadas que em metia.

Me formei e tenho Leandro, cada dia mais ele era a minha inspiração, eu queria com o livro passar algo de real no meio disso tudo, eu tenho orgulho de ser quem sou hoje, e o meu passado, de onde vim, isso é parte de mim, do que eu penso do que eu sou, conheço meu coração e isso basta.

Na páscoa ele me levou para conhecer uma mulher, sua avó tinha aquela aparência habitual, cabelos brancos, bochechas rosadas, um óculos redondo, andava devagar e com passos pequenos, trazia um sorriso encantador, pude ver quando sorriu pra mim. ela era uma avó normal a não ser pela sua residência, que era enorme. A decoração era clássica, havia lindos quadros na parede, eu até reconheci alguns, fiquei hipnotizada olhando uma magnífica obra de Degas, quando dei por mim estavam os dois me olhando, fiquei sem graça, rimos os três.

A Vó gostava mesmo de contar histórias, contar sobre Leandro, passamos uma tarde mágica. Leandro e eu estávamos bem felizes, leves, como sempre foi desde aquele setembro, me disse que sua avó e ele eram os únicos vivos da família, já foram uma família numerosa, com crianças por todo o lado, mas hoje só restam os dois. Após o almoço fomos os três andar por aqueles imensos jardins, tão belos, e traziam uma paz tão grande.

Caminhamos por horas, era um lugar realmente fantástico, e agradecia muito a Leandro por ter me levado lá, fiquei pensando na nossa conversa, mas não me atrevi a perguntar mais, Vó era uma pessoa bastante refinada, culta, uma mulher muito interessante. Andando pelo jardim avistei uma flor, sua beleza me encantou de um jeito, fiquei um tempo tentando guardar aquela imagem na minha mente, e quando olhei pro lado não vi mais Leandro, e nem a vó, eu estava sozinha e nem mesmo os escutava, fiquei parada um tempo, quando de repente por uma das alamedas do jardim apareceu um homem, tinha um semblante bondoso, trazia terras nas mãos, parecia o jardineiro do lugar, ele me olhou com olhar sereno e disse:

___ Então é você a escolhida?

Eu fiquei sem entender aquilo, e com muitos pensamentos passando por mim naquele momento, fiquei assustada, de repente ouvi Leandro gritar meu nome, respondi onde eu estava, e quando olhei para o lado o jardineiro já não estava, ele sumiu por entre o jardim.

Desde que cheguei a casa, não vi mais ninguém, nenhum empregado, e me perguntava como era possível manter todo aquele brilho. Mas estando com Leandro aprendi a intuir e esperar, no universo dele as respostas fluíam simplesmente.

Leandro ainda tinha aquele mesmo olhar de setembro, no livro eu contara histórias e memórias de minha vida. Eu já trabalhava na minha área, atendia em um orfanato da cidade, cuidava das crianças, era o esforço reconhecido, eu era especialmente feliz por estar ali.

Meu livro sobre Leandro, sobre mim, aquele trabalho, aquela noite, este eu não consegui ainda concluir, tanto estudo, pesquisa, livros e mais livros que li na faculdade, ainda não consegui decifrar aquele homem, decifrar Leandro.

Que mistério tinha ao redor dele, da avó, daquela casa?


......................................................continua..........................................

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Conto

Setembro – Uma noite e tudo mudou

Era setembro, uma noite fria...eu me enrolava em mim, usava meus braços pra me esquentar e esquecer aquela esquina, aquele vento frio que passava. Por alguma razão as vezes eu esquecia quem eu era, o que eu fazia, passeava em meus pensamentos, devaneios tolos, me fingia ser outro alguém, mas não pra fugir, pra sair de mim, porque sempre q eu me olhava no espelho lá estava eu, impossível fugir do que a gente traz por dentro.

Sentia que aquele era um dia bom, era especial, lá perdida em mim, em meus pensamentos eu ficava horas a fio, até que me acordavam dos sonhos era hora de trabalhar.

Avistei de longe, era um carro tão bonito, desses que a gente vê em comercial de TV, vê e tenta imaginar a gente com um daqueles, nossa.... ops mas então:

__ Oi!
__ Qual seu nome, moça?
__ Pode ser o nome que você quiser!
__ Diga seu nome? Gosto de saber com quem faço negócios.
__ Cássia!

Era um homem, moreno, parecia jovem, corpo malhado, usava terno, já era tarde da noite, no caminho até o hotel ele ficou calado, fez poucas perguntas, mas vi que me olhou de cima abaixo quando fui entrar no carro, observava meus gestos, para onde eu olhava, e o carro fazia um burburinho só, era um luxo, tudo novo e cheirava bem.

Quando chegamos, era o apartamento em que ele morava, ou qualquer coisa parecida, porque estava tudo tão perfeitamente organizado. Em uma das paredes tinha uma estante enorme cheia de livros e peças lindas de decoração. Nossa eu me segurei para não me apaixonar de vez por ele, tão lindo.

Eu sempre me cuidei e me cuido, gosto e sei falar, leio muitos livros, sou inteligente, estudo, me alimento bem, sou bonita, bom pelo menos é o que todos dizem, na verdade sempre tive muita sorte, sou muito amada.

Ele me disse que se chamava Leandro, empresário, falou pouco dele, eu também nem queria saber, sei que era um homem lindo de viver. Chegamos e ele gentilmente me ofereceu uma taça de vinho, parecia calmo, sentamos na sala e ele quis saber sobre mim, minhas vontades, sonhos, prazeres, do que eu gostava.

Eu tinha 25 anos, tinha muitos sonhos, muitas histórias pra contar, muitas e muitas coisas a dizer, ele parecia se divertir com o que eu falava, bebemos algumas taças de vinho, e a madrugada veio chegando, eu falava e ele sorria, eu falava e ele dizia algo tão encantador que eu ficava sem saber se o agarrava ou se ficava ali só olhando. Disse-me já tinha se deparado comigo.

Leandro falou pouco dele, do pai, sua vida, disse que tinha um milhão de amigos, mas naquela noite quis algo diferente, sentiu que era uma noite diferente, queria alguém de verdade e ninguém somente o bajulando, o que era quase impossível, de tão anjo que aquele homem era, de tão lindo...

A meia luz, aquela sala toda arrumada, Leandro foi chegando mais perto, nos beijamos, como se fossemos os mesmos adolescentes de anos atrás, fizemos amor como se fossemos cúmplices, e foi uma transa muito legal, a conversa a noite, tudo foi muito legal.

Leandro tinha tudo que alguém pudesse querer, mas olhando no fundo de seus olhos pude ver quantos sonhos ele tinha, quantos mistérios.

Foi uma noite incrível, perfeita. Tem coisas que a gente sente, tem pessoas que passam por nós e a gente sente que aquela pessoa é especial, e também sei que há modos diferentes desses anjos aparecerem nas nossas vidas.

Leandro no seu misterioso olhar, me pareceu triste, uma tristeza sem fim.

Mas por que aquele homem perfeito era triste?
E por que o destino nos uniu?

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continua................

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

...

Inocente

Eu olho e olho

E por horas não acredito

É tão frágil

Mas depois que chegou

A pouco tempo

Quando chegou

Mudou tudo

Mudou a mim

O que eu acreditava

Por horas fico olhando

E tento imaginar

Como pode a humanidade com tantos defeitos

Ter sido um dia

Esse corpo frágil

Esse sorrisinho

Que com o passar dos dias

Vai aprendendo a malícia de saber o que quer

E como ganhar o que quer

Tão inocente

Inocente ser

Que quando grande

Poderá ser o que quiser

E mudar

Mudar o mundo

Assim como mudou minha vida

O meu ser

Este ser inocente

Gente

Gente de mim.

...


...


E a vida segue andando
Vai em frente
Assim como quem não quer nada
É o tempo que vem, que chega, que passa
E a gente aqui, assim.

Me pergunto o que faço
do que vivo as vezes,
Me pergunto pra onde eu vou

Mas tem tantas outras coisas pra fazer
que o tempo acaba passando
e eu aqui ainda pensando
pensando.

E a vida segue andando
Desse jeitinho assim
Desprentencioso como ele só

O tempo que vem
É o tempo
o que vai.

E a vida, e nós, e o mundo, e meu cachorro, e meus vizinhos, e meu mundo...

...estes....

Seguimos andando.


...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Ter você

Há tempos buscava a preciosidade
Buscava o encanto de viver,
A raridade que desejava ter.

Insisti em te ter,
E você resistente a ceder,
Assim fazendo eu enlouquecer.

De tanto te querer
Não sabia mais o que fazer
E de repente encontro-te em meu ser.

Agora vivemos no mesmo querer
Gozando o viver
Com demasiado amor e prazer.

Amo você!

Elaine Maciel