quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Conto

Setembro – Uma noite e tudo mudou

Era setembro, uma noite fria...eu me enrolava em mim, usava meus braços pra me esquentar e esquecer aquela esquina, aquele vento frio que passava. Por alguma razão as vezes eu esquecia quem eu era, o que eu fazia, passeava em meus pensamentos, devaneios tolos, me fingia ser outro alguém, mas não pra fugir, pra sair de mim, porque sempre q eu me olhava no espelho lá estava eu, impossível fugir do que a gente traz por dentro.

Sentia que aquele era um dia bom, era especial, lá perdida em mim, em meus pensamentos eu ficava horas a fio, até que me acordavam dos sonhos era hora de trabalhar.

Avistei de longe, era um carro tão bonito, desses que a gente vê em comercial de TV, vê e tenta imaginar a gente com um daqueles, nossa.... ops mas então:

__ Oi!
__ Qual seu nome, moça?
__ Pode ser o nome que você quiser!
__ Diga seu nome? Gosto de saber com quem faço negócios.
__ Cássia!

Era um homem, moreno, parecia jovem, corpo malhado, usava terno, já era tarde da noite, no caminho até o hotel ele ficou calado, fez poucas perguntas, mas vi que me olhou de cima abaixo quando fui entrar no carro, observava meus gestos, para onde eu olhava, e o carro fazia um burburinho só, era um luxo, tudo novo e cheirava bem.

Quando chegamos, era o apartamento em que ele morava, ou qualquer coisa parecida, porque estava tudo tão perfeitamente organizado. Em uma das paredes tinha uma estante enorme cheia de livros e peças lindas de decoração. Nossa eu me segurei para não me apaixonar de vez por ele, tão lindo.

Eu sempre me cuidei e me cuido, gosto e sei falar, leio muitos livros, sou inteligente, estudo, me alimento bem, sou bonita, bom pelo menos é o que todos dizem, na verdade sempre tive muita sorte, sou muito amada.

Ele me disse que se chamava Leandro, empresário, falou pouco dele, eu também nem queria saber, sei que era um homem lindo de viver. Chegamos e ele gentilmente me ofereceu uma taça de vinho, parecia calmo, sentamos na sala e ele quis saber sobre mim, minhas vontades, sonhos, prazeres, do que eu gostava.

Eu tinha 25 anos, tinha muitos sonhos, muitas histórias pra contar, muitas e muitas coisas a dizer, ele parecia se divertir com o que eu falava, bebemos algumas taças de vinho, e a madrugada veio chegando, eu falava e ele sorria, eu falava e ele dizia algo tão encantador que eu ficava sem saber se o agarrava ou se ficava ali só olhando. Disse-me já tinha se deparado comigo.

Leandro falou pouco dele, do pai, sua vida, disse que tinha um milhão de amigos, mas naquela noite quis algo diferente, sentiu que era uma noite diferente, queria alguém de verdade e ninguém somente o bajulando, o que era quase impossível, de tão anjo que aquele homem era, de tão lindo...

A meia luz, aquela sala toda arrumada, Leandro foi chegando mais perto, nos beijamos, como se fossemos os mesmos adolescentes de anos atrás, fizemos amor como se fossemos cúmplices, e foi uma transa muito legal, a conversa a noite, tudo foi muito legal.

Leandro tinha tudo que alguém pudesse querer, mas olhando no fundo de seus olhos pude ver quantos sonhos ele tinha, quantos mistérios.

Foi uma noite incrível, perfeita. Tem coisas que a gente sente, tem pessoas que passam por nós e a gente sente que aquela pessoa é especial, e também sei que há modos diferentes desses anjos aparecerem nas nossas vidas.

Leandro no seu misterioso olhar, me pareceu triste, uma tristeza sem fim.

Mas por que aquele homem perfeito era triste?
E por que o destino nos uniu?

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continua................

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