sexta-feira, 14 de novembro de 2008

...100 início, meio, fim, meio meio meio....


A velha casa

Posso sentir ainda aquela brisa tocando meu rosto, meu coração em desastre, me aperta, sinto calafrios, meu corpo todo sente um arrepio.


Parado ali na frente daquela casa, tanta coisa me vem a mente, olhando esta rua, neste banco que tantas vezes fiquei admirando aquela casa, aquela velha e linda casa, penso mil coisas mil histórias, quem poderia morar ali, naquele objeto de minhas veias, tensões, sonhos, pesadelos.

Olhando daqui deste banco, do outro lado da rua, o vento me tocando, agasalhado assim como estou, sinto uma imensidão dentro de mim, é tanta coisa que pode ser que eu não sei ao certo nem mais quem sou quando fico aqui.

Sei que passo e já passei horas a fio aqui a olhar pra lá, posso desenhar daqui da minha lembrança cada detalhe deste ponto de visão, é como se fosse um quadro a minha frente, um quadro pintando com tanto sentimento e paixão que deve ser exatamente isso que me invade e me inebria de algo que não sei que não posso controlar.


Estar aqui à frente dela, da casa, folhas secas pela rua, uma rua deserta, são quatro da tarde e não vejo ninguém, que penso estar invisível, será magia vindo de lá.


Há cinco anos quando me mudei pra esta rua, a vi pela primeira vez no dia em que, quem eu muito amei se foi, ela se interessou por um outro alguém, nosso casamente marcado, anos e anos planejando aquilo, aquele dia, este lugar, esta casa, nosso lar, em um segundo e tudo que eu acreditava se foi, não tinha mais nada a não ser o Tom, meu cachorro, meu único e amado companheiro.


Ao descobrir tudo, toda aquela farsa, ao vê-la partindo naquele carro preto, era uma tarde assim de outono, havia folhas secas no chão que teimavam em rodopiar por aí, pareciam dançar ao som das batitas 'inépitas' do meu coração, era minha vida que se ia partindo, desesperado, sem ter planos me sentei nesse banco, e a olhar senti todos os sentimentos juntos e alvoraçados dentro de mim, as folhas no chão continuavam seu ritual de dança ao som das batitas do meu coração que aos poucos se tornava um ritmo tão desigual que mais parecia uma canção, dessas tão geniais que aos ouvidos comuns, alheios, não faziam o menor sentido.


Desde então essa casa me fascina, a rua, as árvores, o cheiro de solidão que passa no ar, o cheiro frescos de umas flores mórbidas pelo outono, a sensação de estar sozinho no mundo, naquele mundo, pequeno mundo que era minha rua.


Em casa eu tentava me distrair, escrever, pintar, ler, mas tudo que eu fazia me trazia a mente aquela casa, como se a dor de ver Anny indo embora, tivesse ficado numa redoma que inebriava meu ser olhando pra lá.


Há cinco anos, que cá estou, que aqui vivo comigo mesmo, não quiz mais nada, nem sair, nem viver, minha irmã me fornece tudo que preciso, comida, bebida tudo que preciso para gastar o resto de sopro de vida que tenho, não quero ver ninguém, nada, minha velha casa, meu esconderijo é onde fico, e a casa grande da rua é onde me escondo de mim mesmo, meus amigos os mesmo de Anny já desistiram de mim, não me ligam mais, a correspondência está toda guardada, prefiro não ler, não ver o mundo, este que a levou, viverei pra mim.

Também não conheço os vizinhos, não sei quem está lá e não me importa muito, tudo que quero é poder olhar, gravar, pintar cada detalhe na minha memória, é como um ópio que me leva, sento lá, fico a olhar, e saio deste mundo.

Sinto a brisa tocar de leve meu rosto, e meu coração em batidas frenéticas que faz com que as folhas dancem, dancem ao som da minha dor, do meu amor, do meu viver, dançam ao som daquilo que um dia eu quiz pra mim, hoje não me resta mais, nem tempo, nem forças, nem coragem, ela se foi e foi para sempre, não me importa nem viver, nem vida alguma.


Tom, eu e nada mais.

Lili Marins


quarta-feira, 12 de novembro de 2008

------------------------------Lembrança

Caminhando por meus próprios escritos que andam um tanto esquecidos, me deparei com este texto que escrevi outro dia, porém a história já ta velha, rs, mas ainda sim vale a pena.


Leiam (please)


Lembrança

Dois anos se passaram
e ainda vejo teu retrato.

Neste teu sorriso,
vejo toda a dor em mim
aquela dor
que você deixou
ao sair por aquela porta.

Queria tanto saber
o que você pensa
dessa história pra valer.

Os anos que se passaram
não fez passar em mim
a lembrança do que eu vivi
não sei dizer
ao certo o que foi
apenas não entendo
não entendo o que se passou
porque se passou, e passou.

A lembrança
no retrato o teu sorriso,
não é comigo que sorri,
nem pra mim
este sorriso que me invade
e de novo tudo volta.

Toda a dor
do amor.
Dois anos
e você ainda aqui
a lembrança em mim
assim.

Lili(zinha) Marins

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Estranha Felicidade...

Sinto que o mundo desmorana ao meu redor, porém, sou feliz, sinto o pesa de tantas decisões, tantas coisas, tantos sim's e tantos não's mas eu sou feliz.

Caí e aprendi, e a vida toca pra frente, cabe a nós seguir e acompanhar sempre, o tempo é igual para todo mundo.

A caminhada continua e eu 'tow' dentro pro que der e vier... Sim a Vida...rs

".... sempre pra frente, simples assim..."

ººº

Dúvida

Uma decisão
Um querer
Um segundo pra dizer

Eu quero
E quero tudo
Mas o que o outro quer?
O que eu quero?

Outro ser, outro querer
Movimentos inerentes a minha vontade
assim como os meus
assim como és
dúvida e quero
dúvida e não pode.

Uma decisão
quero
não quero
é assim
só preciso dizer
só preciso saber.

Lili

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

ººº

Você...

Te achei por aí
Quis te conhecer
Foi diferente assim.

Te vi
Olhei
E de novo...
Senti meu peito pulsar
Num tom estranho
Me fez parar
Parar e te olhar.

Desde então
Usamos uma linguagem metafórica
concessões
Você sabe o que eu quero
Mas não sabe se quer.

Ficamos a brincar
Brincar de se apaixonar
De se desejar
desejando
Ah você...
ººº

...

Palavras

Parada no tempo,
Devaneio em sentimentos,
Aqui dentro há um coração que palpita,
Há um som que me lembra alguém,
um amor?
uma cor!

E as palavras vem
Palavras que voam ao meu redor,
E me mostram um caminho,
palavras ajuntadas,
emaranhadas,
simples
tudo isso pra dizer ao mundo o que tenho aqui,
em mim.

Palavras escritas pra saciar aqueles que lêem;
Aqueles que sentem;
Escrevo, escrevo o que vem de mim.
Um sentimentalismo,
Desenhado por palavras escritas
Juntas
Um grito
Um sussurro.
E o sentimento esse mesmo abstrato
Desenhado está por palavras assim
Escritas assim;
Simples assim.


Lili Marins