quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Conto - Parte 2


Setembro – Uma noite e tudo mudou

A vida é mesmo estranha, uma bela estranha.

Como todos os outros dias de setembro, a noite, o frio, aquela esquina era tudo tão igual. Leandro surgiu como um cavaleiro negro, depois daquela noite, mais e mais vezes nos encontramos, eu disse que estava naquela vida, pois queria minha independência financeira antes dos 25, e já tinha dinheiro o bastante para isso, aquela na verdade fora a última noite de setembro. À medida que fui conhecendo Leandro pude ter certeza e consciência de tudo aquilo, eu já estava para me formar em Psicologia não precisava mais daquelas experiências.

Leandro estava do meu lado, era um tipo de romance diferente, único, mesmo com nossas risadas soltas, nossas aventuras e desventuras Leandro era ainda misterioso para mim, ainda tinha aquele olhar triste.

Em abril do outro ano, estávamos felizes, juntos, eu já tinha enterrado aquelas histórias, aquela esquina onde conheci a razão que procurava para minha vida. Eu era sozinha neste mundo, não sabia de onde eu vinha, mas não me preocupavam tantas perguntas, apenas vivia. Onde eu cresci se aprende a destacar-se e persistir no sonho. Sorte minha.

Desde que conheci Leandro passei a escrever sobre as histórias daquele tempo, são rascunhos, experiências, histórias engraçadas, várias enrascadas que em metia.

Me formei e tenho Leandro, cada dia mais ele era a minha inspiração, eu queria com o livro passar algo de real no meio disso tudo, eu tenho orgulho de ser quem sou hoje, e o meu passado, de onde vim, isso é parte de mim, do que eu penso do que eu sou, conheço meu coração e isso basta.

Na páscoa ele me levou para conhecer uma mulher, sua avó tinha aquela aparência habitual, cabelos brancos, bochechas rosadas, um óculos redondo, andava devagar e com passos pequenos, trazia um sorriso encantador, pude ver quando sorriu pra mim. ela era uma avó normal a não ser pela sua residência, que era enorme. A decoração era clássica, havia lindos quadros na parede, eu até reconheci alguns, fiquei hipnotizada olhando uma magnífica obra de Degas, quando dei por mim estavam os dois me olhando, fiquei sem graça, rimos os três.

A Vó gostava mesmo de contar histórias, contar sobre Leandro, passamos uma tarde mágica. Leandro e eu estávamos bem felizes, leves, como sempre foi desde aquele setembro, me disse que sua avó e ele eram os únicos vivos da família, já foram uma família numerosa, com crianças por todo o lado, mas hoje só restam os dois. Após o almoço fomos os três andar por aqueles imensos jardins, tão belos, e traziam uma paz tão grande.

Caminhamos por horas, era um lugar realmente fantástico, e agradecia muito a Leandro por ter me levado lá, fiquei pensando na nossa conversa, mas não me atrevi a perguntar mais, Vó era uma pessoa bastante refinada, culta, uma mulher muito interessante. Andando pelo jardim avistei uma flor, sua beleza me encantou de um jeito, fiquei um tempo tentando guardar aquela imagem na minha mente, e quando olhei pro lado não vi mais Leandro, e nem a vó, eu estava sozinha e nem mesmo os escutava, fiquei parada um tempo, quando de repente por uma das alamedas do jardim apareceu um homem, tinha um semblante bondoso, trazia terras nas mãos, parecia o jardineiro do lugar, ele me olhou com olhar sereno e disse:

___ Então é você a escolhida?

Eu fiquei sem entender aquilo, e com muitos pensamentos passando por mim naquele momento, fiquei assustada, de repente ouvi Leandro gritar meu nome, respondi onde eu estava, e quando olhei para o lado o jardineiro já não estava, ele sumiu por entre o jardim.

Desde que cheguei a casa, não vi mais ninguém, nenhum empregado, e me perguntava como era possível manter todo aquele brilho. Mas estando com Leandro aprendi a intuir e esperar, no universo dele as respostas fluíam simplesmente.

Leandro ainda tinha aquele mesmo olhar de setembro, no livro eu contara histórias e memórias de minha vida. Eu já trabalhava na minha área, atendia em um orfanato da cidade, cuidava das crianças, era o esforço reconhecido, eu era especialmente feliz por estar ali.

Meu livro sobre Leandro, sobre mim, aquele trabalho, aquela noite, este eu não consegui ainda concluir, tanto estudo, pesquisa, livros e mais livros que li na faculdade, ainda não consegui decifrar aquele homem, decifrar Leandro.

Que mistério tinha ao redor dele, da avó, daquela casa?


......................................................continua..........................................

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Conto

Setembro – Uma noite e tudo mudou

Era setembro, uma noite fria...eu me enrolava em mim, usava meus braços pra me esquentar e esquecer aquela esquina, aquele vento frio que passava. Por alguma razão as vezes eu esquecia quem eu era, o que eu fazia, passeava em meus pensamentos, devaneios tolos, me fingia ser outro alguém, mas não pra fugir, pra sair de mim, porque sempre q eu me olhava no espelho lá estava eu, impossível fugir do que a gente traz por dentro.

Sentia que aquele era um dia bom, era especial, lá perdida em mim, em meus pensamentos eu ficava horas a fio, até que me acordavam dos sonhos era hora de trabalhar.

Avistei de longe, era um carro tão bonito, desses que a gente vê em comercial de TV, vê e tenta imaginar a gente com um daqueles, nossa.... ops mas então:

__ Oi!
__ Qual seu nome, moça?
__ Pode ser o nome que você quiser!
__ Diga seu nome? Gosto de saber com quem faço negócios.
__ Cássia!

Era um homem, moreno, parecia jovem, corpo malhado, usava terno, já era tarde da noite, no caminho até o hotel ele ficou calado, fez poucas perguntas, mas vi que me olhou de cima abaixo quando fui entrar no carro, observava meus gestos, para onde eu olhava, e o carro fazia um burburinho só, era um luxo, tudo novo e cheirava bem.

Quando chegamos, era o apartamento em que ele morava, ou qualquer coisa parecida, porque estava tudo tão perfeitamente organizado. Em uma das paredes tinha uma estante enorme cheia de livros e peças lindas de decoração. Nossa eu me segurei para não me apaixonar de vez por ele, tão lindo.

Eu sempre me cuidei e me cuido, gosto e sei falar, leio muitos livros, sou inteligente, estudo, me alimento bem, sou bonita, bom pelo menos é o que todos dizem, na verdade sempre tive muita sorte, sou muito amada.

Ele me disse que se chamava Leandro, empresário, falou pouco dele, eu também nem queria saber, sei que era um homem lindo de viver. Chegamos e ele gentilmente me ofereceu uma taça de vinho, parecia calmo, sentamos na sala e ele quis saber sobre mim, minhas vontades, sonhos, prazeres, do que eu gostava.

Eu tinha 25 anos, tinha muitos sonhos, muitas histórias pra contar, muitas e muitas coisas a dizer, ele parecia se divertir com o que eu falava, bebemos algumas taças de vinho, e a madrugada veio chegando, eu falava e ele sorria, eu falava e ele dizia algo tão encantador que eu ficava sem saber se o agarrava ou se ficava ali só olhando. Disse-me já tinha se deparado comigo.

Leandro falou pouco dele, do pai, sua vida, disse que tinha um milhão de amigos, mas naquela noite quis algo diferente, sentiu que era uma noite diferente, queria alguém de verdade e ninguém somente o bajulando, o que era quase impossível, de tão anjo que aquele homem era, de tão lindo...

A meia luz, aquela sala toda arrumada, Leandro foi chegando mais perto, nos beijamos, como se fossemos os mesmos adolescentes de anos atrás, fizemos amor como se fossemos cúmplices, e foi uma transa muito legal, a conversa a noite, tudo foi muito legal.

Leandro tinha tudo que alguém pudesse querer, mas olhando no fundo de seus olhos pude ver quantos sonhos ele tinha, quantos mistérios.

Foi uma noite incrível, perfeita. Tem coisas que a gente sente, tem pessoas que passam por nós e a gente sente que aquela pessoa é especial, e também sei que há modos diferentes desses anjos aparecerem nas nossas vidas.

Leandro no seu misterioso olhar, me pareceu triste, uma tristeza sem fim.

Mas por que aquele homem perfeito era triste?
E por que o destino nos uniu?

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continua................