Um amor arrebatador
Ao amanhecer consegui ver dentre os raios mansos de uma manhã de verão que adentravam pela janela do quarto seu corpo, estava ali do meu lado, mas por um momento temi que não estivesse, e me agarrei ao seu abraço, seu corpo macio, onde eu podia me perder e me encontrar, sentir seu cheiro, ouvir sua respiração. Por um longo tempo fiquei a te olhar, desenhando você dentro de mim, como faço todas as manhãs na penumbra do meu quarto sem que você perceba.
Ao te olhar me vem a mente tudo que passei ao teu lado e tudo que quero passar, ao te olhar imagino o que pode ser, imagino não mais amanhecer, imagino que não preciso mais, não mais viver, porque você é tudo o que quero, e o que sinto, e vivo e tudo que preciso.
Assim como mágica, fico parada continuo a te olhar, a te guardar em mim e uma música suave entra de mansinho e me invade os ouvidos, eu fecho os olhos e vejo você, nós estamos em uma manhã quente, em uma grama verde, você está correndo comigo, por vezes quer me pegar, mas eu consigo fugir e a música agora consigo distinguir, essa música que me invade o ser é o seu sorriso, ouço com tanto amor que nunca, jamais irei esquecer, porque é o que quero ouvir daqui pra frente até mais não ser.
Quando não mais consigo correr, você vem com seus braços enormes e me envolve, meu coração está aos pulos, porque tive medo de te perder, tive medo que me alcançasse, mas na verdade eu quero mesmo, são os seus braços envolvidos no meu corpo e nada mais precisará ser, só você, eu, esse momento, nada mais.
Estremeço nesta sensação, abro meus olhos, novamente estou no quarto, o dia raiando, a rua acordando e o dia começa e novamente tudo de novo será, tudo novo.
Ao me levantar olho para a cama ainda desarrumada, e com um sorrisisinho ainda estampado no rosto eu vejo ... que isso um dia vai acontecer, eu não me canso de te procurar, você habita meus sonhos e ainda não está, todos os dias eu penso que ainda hei de te encontrar.
Lili Marins

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