O não amor
Eis um sentimento único e abstrato, como o próprio amor. Ele aparece devagar, sorrateiro e raro.
Você já se pegou não amando?
E eu não estou falando daquele momento ruim de briga de discursões que pode levar pouco ou muito tempo, estou falando do vazio, daquele que por vezes, aliás por outros fica esquecido, você, sim você mesmo.
Quando estamos amando o bom dia é para o outro, o chocolate que você ganha não é para você, o final de semana não é seu, até seus amigos não são mais só seus, e aquele momento de calma e transe de você contigo mesmo também não existe mais.
O não amor nos permite pensar em nós, pensar uma por uma cada parte de você mesmo, podendo senti-las com intensidade.
Se fosse uma escolha simples eu queria não amar (agora). A não ser eu mesma, a não ser os meus projetos, a não ser aquele casaco lindérrimo (um mimo) que eu me dei no último inverno, e quero continuar a dar, a dar amor, carinho, atenção, tempo, presentes pra mim mesma, pra minhas coisas pequenas, para o meu dedinho mínimo, é isso mesmo o meu dedinho mínimo que por vezes, aliás por outros passa tempos esquecido por mim.
O não amor me faz bem (também), e eu quero que seja eterno enquanto dure.
É certo que o não amor chega depois de um amor intenso, depois de ter provado o doce amargo de não ser capaz de amar ou mesmo ser amado, porém é este estado que nos faz ver as cores com mais vida, uma vez que depois da tempestade seus olhos desacostumaram com toda aquela luz.
O não amor é um estado, um momento, um tempo, um tempo que bem usado é só seu, um momento que bem visto é de amor, amor por si mesmo, um estado em que esbanjando o amor próprio o torna vitrine, todos querem alguém que se cuida, que se ama, se és capaz de sê-lo feliz é capaz também de o fazer por alguém, então comece por você mesma (o).
O não amor é um estado de amor próprio.
ººº
Nenhum comentário:
Postar um comentário